Tempo de Deus, tempo da Igreja

1113071216O mês de dezembro sempre nos traz uma grande alegria: é o mês do NATAL, mês dos presentes e das confraternizações.

E na Igreja Católica iniciamos também o Ano Litúrgico e a Novena de Nossa Senhora da Conceição. A organização das festas do chamado Ano Litúrgico aconteceu na história paulatinamente, segundo a consciência adquirida do mistério do Cristo.

No primeiro período da Igreja, a Páscoa foi o único ponto central da pregação, da celebração e da vida cristã. O culto da igreja nasce da Páscoa e para celebrar a Páscoa. Tudo é visto no centro e a partir do centro, e este centro é o acontecimento do Cristo morto e ressuscitado. No começo, portanto, tudo está centrado neste único mistério, atualizado no presente da celebração.

A Igreja primitiva não celebrava “os mistérios” de Cristo, mas “o mistério”, ou seja, a Páscoa, como acontecimento que resume e faz valer para a nossa salvação todo o conjunto da vida e da ação salvífica de Cristo.

A celebração do mistério pascal está no centro da “memória” que a Igreja celebra do seu Senhor. Esta celebração se realiza, desde o princípio, toda semana. As assembleias cristãs sempre se reuniram, como fazem até hoje, no primeiro dia da semana para a “Fração do Pão”, que foi o primeiro nome da Celebração Eucarística. Este dia recebeu logo um nome novo “o dia do Senhor”, “Domingo”, que lembra aos cristãos a ressurreição de Cristo, une-os a ele na sua Eucaristia, encaminha-os para a espera da sua vinda, no fim dos tempos.

O domingo é a espinha dorsal do ano litúrgico inteiro, do qual é fundamento e núcleo. No domingo existe a festa cristã na sua integralidade, e no decurso do ano litúrgico são explicitados os aspectos da totalidade desta festa primordial. A Páscoa anual até hoje continua celebrada com a “vigília” solene, na passagem de Cristo, da morte para a ressurreição. Ao redor desse núcleo primitivo vai-se constituindo o “tríduo sagrado”, que se inicia na quinta-feira santa, depois celebra a morte de Cristo (sexta-feira santa), a sua sepultura (sábado santo) e a sua ressurreição (domingo com a grande vigília), a Páscoa celebrada em três dias. A solenidade pascal vai-se prolongando numa festa de cinquenta dias, até o “Pentecostes”. Depois se acrescentaram outros elementos que fazem parte da rica experiência do Tempo da Igreja, até que se compôs o que chamamos de Ano Litúrgico, Ano de Deus, Ano da Igreja, Ano dos cristãos.

No século IV, para suplantar a festa pagã do “Natalis solis invicti” e para confirmar a fé no mistério da encarnação, surgiu a celebração do Natal. No início, Natal, no Ocidente, e Epifania, no Oriente constituíram uma celebração que tinha um único e mesmo objeto, a encarnação do Verbo, ainda que com tonalidades diferentes. O “Advento”, como preparação ao Natal, é próprio do Ocidente cristão, e é nele que estamos para adentrar e viver as quatro semanas intensas de oração e crescimento, olhando para a vinda do Senhor no fim dos tempos, sua presença no tempo cotidiano de nossa vida cristã e a memória de seu Natal no tempo, quando o Verbo de Deus se fez Carne.

No Advento que se inicia, tem lugar a virtude da Esperança, cujo conteúdo não se reduz em aguardar coisas boas para o dia de amanhã, mas a certeza de que nossa vida tem rumo, destino certo, tem sentido. Recordemos que esta, ao lado da fé e da caridade, é uma virtude teologal, presente de Deus concedido no Batismo. Se está dentro de nós por dom de Deus, é hora de atualizá-la, de forma a oferecer à nossa geração esmorecida justamente na esperança, um sentido renovado para os gestos, atitudes e passos a serem dados. A Liturgia da Igreja, em tempo de Advento, oferece-nos ainda elementos preciosos para uma boa revisão de vida, pautada não tanto no espelho, mas à luz de Jesus Cristo e sua Palavra, para que o nosso seja um Tempo de Deus.

A partir da virtude da Esperança, podemos acolher o convite a viver “em estado de Advento”, não fechados nos acontecimentos quotidianos, que tantas vezes nos afogam, mas abertos para as promessas de Deus, conscientes de sua presença salvadora, prontos anunciar a alegria aos outros, superando o pessimismo circundante, recolhendo as flores do bem que é feito, acendendo luzes ao invés e abafar os fachos tímidos que se mostram na escuridão. Justamente a grávida mais notável de todos os tempos, Virgem Maria, em estado de expectativa, pode ser nossa companheira de jornada. O tempo ao Advento é o mais favorável para cultivar a devoção e o carinho com Nossa Senhora, aquela que se revestiu totalmente da Palavra de Deus!

Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano de Caruaru

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