Jan 06

Meditação e Evangelização

04 01 meditacaoAlguém poderia pensar que a meditação é um exercício apenas para o bem-estar interior do praticante, sem nenhuma relação com o agir do cristão neste mundo. Meditação e evangelização seriam duas realidades distintas e separadas entre si? A meditação teria efeitos positivos nos trabalhos missionários e pastorais de uma comunidade cristã? O que você acha?

Talvez a experiência prática de nossos grupos e de cada meditante possa iluminar melhor essa questão. Quando visitamos as escolas locais, não costumamos encontrar pessoas fechadas em si mesmas, acomodadas e sem interesse pela evangelização. Pelo contrário, encontramos pessoas alegres e entusiasmadas pela causa do Evangelho, pessoas que buscam a comunhão fraterna, pessoas que desejam servir e amar. Certa vez, uma senhora nos contou que, quando ingressou na escola de meditação, estava totalmente sem ânimo para continuar seu serviço pastoral. Porém, meditando todos os dias, redescobriu a beleza de servir e amar com humildade. Sentiu-se novamente com entusiasmo e voltou alegremente para a sua missão.

A meditação é, de fato, um caminho que nos leva para o mais interior de nós mesmos. Desligados de todas as coisas exteriores e recolhidos na presença de Deus, nós nos desapegamos de todos os pensamentos, imaginações, sentimentos e desejos. Não se trata de analisar coisas ou fatos, nem de refletir sobre eles, e nem de montar estratégias para resolvê-los. Meditar é entrar no santuário do silêncio e ali permanecer em quietude nos braços de Deus.

Este recolhimento silencioso, porém, não tem como objetivo afastar o praticante da sua realidade, tornando-o desinteressado pelas coisas exteriores. Pelo contrário, a meditação prepara o praticante para agir com mais equilíbrio e consciência onde quer que ele esteja. Quem medita se afasta por um pouco de tempo de tudo aquilo que lhe é exterior, para depois se aproximar de todos com um coração mais compassivo e amoroso. Não esqueçamos de que a meditação não é o destino final do caminho espiritual, ela é sempre um meio pelo qual podemos avançar cada vez.

Em várias passagens do evangelho, vemos Jesus se retirando para ficar a sós com o Pai do céu (cf. Mc 1,35; Mc 6,45; Lc 6,12). Quando voltava desses momentos contemplativos, vinha com grande força e entusiasmo para continuar a sua missão evangelizadora. O pai São Francisco, seguindo a Cristo bem de perto, costumava esconder-se nos eremitérios, nas montanhas e nos bosques para desfrutar da necessária solidão, buscando somente o Amado de sua alma. Voltando da contemplação, saía a pregar com muito mais zelo e vigor.

Assim como Jesus e São Francisco, nós também podemos experimentar a solidão contemplativa quando estivermos em meditação. Não se trata de um isolamento, mas de um afastamento temporário que restaura e revigora a nossa alma. Cheios de Deus e capacitados para o serviço, voltamos para a lida diária com muito mais disposição, alegria e equilíbrio. O tempo que gastamos na meditação vai qualificar tudo o que fizermos posteriormente.

A experiência da meditação cotidiana torna-se, portanto, uma grande força para a missão evangelizadora da Igreja. A presença de um grupo de meditação numa comunidade cristã revigora os missionários, entusiasma os evangelizadores e traz um novo vigor a quem se dedica ao serviço pastoral. Meditação e evangelização não se excluem, uma deve ser consequência da outra. Quem medita torna-se um anunciador daquilo que experimentou, e quem está no árduo serviço da evangelização restaura suas forças no silêncio contemplativo da meditação.

Frei Salvio Romero, eremita capuchinho.

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